DEPOIMENTO NÁDIA: 1ª MARATONA > 27/05/2014

Ah, maratona, quantas lembranças...

Tudo começou com um treino longo na praia. Treino de preparação para a TTT com a turma da Inspire. Naquele dia, na companhia da Dani Signori, percorri 20km e dizia: não tenho, ainda, a pretensão de fazer uma maratona. Gosto é das curtinhas, aquelas que são tiro curto e tempo certo para acabar. Mas, quem diria, naquele mesmo dia, dando uma força para o maridão, que tinha só 50km na planilha, percorri mais 14km, na parceria, juntamente com o Norberto, Paulo Sonego e o Vicente. No final, apesar da exaustão, percebi que se eu tinha percorrido 34km eu poderia, sim, correr uma maratona. Afinal, quem corre 34 km corre 42km, não é mesmo??

Bom, para concretizar essa façanha tive que me adequar aos treinos, à necessidade de manter uma rotina intensa, variando entre a musculação, tiros e corridas na esteira, e muitos treinos longos no final de semana.

Não dá para deixar de mencionar que o maridão foi o meu suporte, a minha inspiração para encarar esse desafio. Afinal, ele é ultra, né! E fez parte de todos os meus treinos longos desde que me propus a treinar para a maratona. Sem o seu incentivo e companhia não seria nada fácil!

Quando eu falava para os amigos o que eu ia fazer, (nossa!), as pessoas me diziam: e tu aguenta? pelo meu porte físico mesmo, pequeninha, magrinha e fraquinha. Só que eu pensava: porque não aguentaria? Hoje, posso dizer para elas substituírem o ‘fraquinha’ por ‘fortaleza’ porque é isso que uma prova dessas nos transforma, pois te leva à exaustão e a conhecer o próprio limite.

Depois de muitos longos de 20, 21 e 25km foi no treino de 36km que adquiri confiança total, pois tudo transcorreu bem e dentro do planejado, sem lesões.

Duas semanas antes da prova precisei fazer um raio de tórax, a pedido do querido Dr. Marcelo Mensch, e, infelizmente, nesse exame, apareceu uma alteração no coração. Algo até então desconhecido! Então, por recomendação e precaução, antes da prova, me submeti a exames complementares que, graças a Deus, descartaram qualquer gravidade. Mas, e o susto? Manter a serenidade e o foco poucos dias antes da prova foi dureza!

Superada essa fase segui com o meu objetivo e não deixei que isso ofuscasse o desafio, pois estava treinada e preparada para a prova.

No dia da prova, levantei às 04:30 da manhã e comecei a me vestir (aquela roupa escolhida, na noite anterior, para o grande dia). Afinal, maratona é maratona, prova que exige muito respeito!

No caminho para a prova a ansiedade me envolvia e, lá, na concentração da nossa tenda, a energia do lugar já era intensa e contagiante. Antes mesmo de me deslocar para a largada, o abraço do amigo Raul foi suficiente para que as lágrimas escorressem pelo meu rosto. Muito emocionada fui para a largada e outros amigos queridos me desejaram boa prova.

Ali, até que aquela tropa de mulheres valentes, a minha frente, começasse a se mexer, o meu coração batia a mil...eu podia ouvi-lo, e isso, naturalmente, foi passando. Alguns metros à frente, o Paulo me aguardava para seguir comigo naquela grande jornada. Aos poucos fui ajustando a respiração, a passada, e me concentrando no ritmo que eu tinha me proposto a cumprir. Fui construíndo a maratona Km por km. Durante o percurso pude cruzar com os meninos da Inspire e tantos outros conhecidos. A vibração de cada um era um “plus” para manter a motivação e o desejo de superação.

No km 12 o nosso ritmo era bom e constante. Foi aí que surgiu uma nova parceira para aquela batalha, a Maria, de São Luís – MA, e, durante vários km corremos juntas, na parceria, como se fossemos grandes amigas, conversando e compartilhando de gatorade, água, jujuba e pãozinho (sim, por um instante, parecia um piquenique em movimento).

Até o Km 21 fui bem, mas, daí para frente uma dorzinha no ombro me acompanhou até o final da prova com muita intensidade. No km 26, a alegria e a vibração dos amigos Vilnei e Marli Mendes fez com que, por alguns instantes, eu esquecesse a dor e seguisse motivada. No km 30, o Paulo começou a sentir a lombar e, a partir daí, como ele mesmo disse “foi o meu doping mental” que me conduziu até a chegada porque o sofrimento já tinha dado as caras.

Aos poucos, o nosso ritmo não era mais o mesmo e, naturalmente, fui me distanciando. No km 34 comecei a me deparar com alguns caminhando, outros lesionados. E, daí por diante, a batalha foi comigo mesma.

No km 36 eu já não sabia se chegaria no tempo previsto e buscava entre a  multidão de guerreiros, o Paulo. Foi então que comecei a conversar com a Cibele, de Aracaju, era a 1ª maratona dela e ela também queria concluí-la em até 4 horas. Infelizmente, no km 39, ela não agüentou e segui em frente. A dor no braço me consumia, as pernas não correspondiam a minha cabeça e voltei a procurar o maridão entre a multidão. Foi, então, que, no final do km 40, comecei a enxergar o Gustavo Maciel, logo atrás de mim, eu olhava e pensava...chega Gustavo...ele chegou e disse: vamo junto! Era o que eu precisava para aterrissar na prova novamente. Obrigada, Gustavão! Não demorou muito e a Dani Signori veio ao meio encontro e me conduziu até a reta final. Oh, que plus Dani! Obrigada!! Você faz parte dessa história. Isso não tem preço e é o que a corrida nos proporciona: compaixão, solidariedade e amizade.

Ainda, alguns metros da chegada, a turma da Inspire, juntamente, com o Marialdo e a Elo, vibravam na minha passagem e a exaustão deu lugar à emoção, as lágrimas escorriam de alegria. Na linha de chegada, os manos Wiliam e Ivan me aguardavam com uma bela chuva de prata. Chorava copiosamente e aguardei o maridão para dar aquele abraço vitorioso.

Quando eu me propus a treinar para a maratona, o primeiro objetivo era de completar a prova. O segundo era de concluí-la em até 4hs. E não é que deu! Conclui em 03h58min e 13seg. Não é à toa que essa prova é a mais nobre das provas. Além de todos os participantes estarem unidos por um único objetivo: a superação, ela é magnífica, pois envolve todos independentemente de qualquer cultura. É verdade também que não basta estar preparado só fisicamente, a prova é cascuda e só sobrevive quem for forte. Forte mentalmente.

Agora, esse mega desafio não seria possível sem a equipe Inspire (Marialdo, Elo, Dai e Vini). A dedicação e o carinho prestado pelo sargento Marialdo e Elo foi de pai para um filho e fundamental para encarar esse desafio. Obrigada!! Também não posso deixar de mencionar a minha nutri, Solange, que muito me orientou para ter o combustível necessário durante todo o treinamento.

Por fim, só tenho a dizer que a vitória pertence aquele que acredita nela, e, por isso, sou vitoriosa! 

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